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Freguesia de Santa Maria da Feira

Santa Maria da Feira foi a freguesia que administrativamente foi extinta e agregada à do Salvador. Continuamos a respeitar a sua identidade e a ela está associada mais uma grande história da vida da cidade. O seu património edificado é riquíssimo e muito ligado às lutas entre cristãos e árabes, entre portugueses e castelhanos, e aos grandes senhores da terra.

Tendo uma área considerável de meio rural em terrenos agrícolas, a freguesia de Santa Maria da Feira tem a sua história ligada a grandes explorações agro-pecuárias da época romana, como provam os vestígios da Quinta da Suratesta, uma villa classificada como Monumento Nacional.
Dentro da parte urbana temos três grandes monumentos: o Convento da Nossa Senhora da Conceição; a Igreja de Santa Maria da Feira e o Pelourinho. O Convento da Conceição foi fundado no século XV, pelos Infantes D. Fernando e D. Brites pais do rei D. Manuel I, primeiros duques de Beja. Da sua arquitetura destacam-se os estilos gótico e a passagem para o manuelino, mudéjar e renascimento. A Igreja, a Sala do Capitulo e o Claustro são espaços que chegaram até hoje com a sua traça original. É notável a sua decoração, dos séculos XV ao XVIII, com revestimentos de azulejaria, pintura, mármore, talha e objetos religiosos em prata. Há que apreciar especialmente os andores em prata dedicados a S. João Evangelista e S. João Baptista.

No edifício funciona o actual Museu Regional ou Museu da Rainha D. Leonor, como homenagem ao facto da fundadora das Misericórdias ter nascido em Beja, em 1458. O museu possui um rico acervo de que se destacam as coleções de pintura a óleo sobre madeira, tela e cobre, de mestres portugueses, flamengos, espanhóis, dos séculos XV ao XIX.

Pode-se ainda apreciar, no 1º piso, a seção de arqueologia, centrada, sobretudo, no período romano, no tempo da Pax Júlia, enquanto no 2º piso, se expõe a parte mais importante da belíssima coleção arqueológica oferecida por Nunes Ribeiro, a qual se estende desde a pré-história aos nossos dias. Estão associadas ao Convento da Nossa Senhora da Conceição as Cartas de amor de Soror Mariana Alcoforado (1640-1723), a freira que viveu no Convento e autora das cinco Lettres Portugaises, dirigidas a um oficial francês Noel Bouton, mais conhecido como marquês de Chamilly, que durante a Guerra da Restauração esteve em Beja e por quem a freira se apaixonou. As famosas cartas traduzidas para mais de trinta idiomas, já somam, desde o século XVII, mais de quinhentas edições em livro ou revista.

Bem perto do Convento da Conceição temos a igreja de Santa Maria, obra de origem visigótica, do século VI / VII, em cujo lugar os muçulmanos construíram, após a invasão da Península Ibérica, a mesquita. Com a conquista portuguesa, no século XIII, foi adaptada a templo cristão, reinava D. Afonso III e passou-se a dominar Santa Maria da Feira.

Dois séculos depois foi reformada, mas ainda conserva a capela-mor gótica, com suas esbeltas janelas geminadas, além de outros vestígios mais antigos. A frontaria, com seu alpendre ou galilé gótico-mudéjar, protege a entrada de portais renascença que dão acesso a um amplo espaço basilical, de três naves. Possui também belos altares e capelas de estilo barroco, além de azulejaria do século XVII, portuguesa.

Em 1923, ao lado da igreja, e entre esta e a torre sineira, foi edificada a Caixa Geral de Depósitos, sacrificando-se a capela de N. Sra. do Rosário e um altar fixo da procissão dos Passos da Via Sacra, no género do da rua Ancha. Há muito desativada a agência bancária, o edifício foi alvo de obras recentes no sentido de devolver ao local a sua memória histórica.

Ainda uma referência especial ao Pelourinho, obra que simbolizava os “Costumes de Beja”. Depois de várias mudanças e até de alguns acidentes, encontra-se neste momento na Praça da República, antiga Praça D. Manuel I, num espaço onde se cruzam as freguesias da cidade, na parte que corresponde à freguesia de Santa Maria. O seu lugar mais antigo teria sido diante da antiga câmara e tribunal de Beja, actual edifício da torrinha cilíndrica, mais ou menos no cimo do largo do Porvir, ao lado da igreja de Santa Maria.

Caminhando pela freguesia descobrimos mais unidades de restauração que continuam a pôr a gastronomia ao serviço da população com os pratos regionais e de sabor mediterrânico, com uma pitada árabe e uma mão cheia de criatividade da população alentejana. Aqui se serve o borrego à pastora; migas e açorda à alentejana; sopa de peixe; toucinho; tomate e bacalhau; cozido de couve; feijão e grão, carnes de porco e de borrego. A nível económico, Santa Maria da Feira está claramente virada para o sector secundário. Aliás, o Parque Industrial da cidade de Beja concentra-se na sua maioria aqui. O comércio tem também alguma importância.

O património humano continua a ser o mais rico, tanto pela parte forma como se associa, como pela parte em que evidencia a sua sabedoria, cultural e forma relacional na sociedade.

Temos duas associações com muito “peso” na freguesia, o Centro Social do Bairro da Esperança e Associação Regional de Artesãos e de Artistas, entre outras. Uma freguesia que viu crescer o número de habitantes, dados dos Censos de 2011. Assim, dos 3 577 habitantes de 2001, passou em 2011 para 4596, aumento de 1019 habitantes.

 

Texto adaptado da Iconografia Pacense, publicada no Diário do Alentejo, entre 1995 e 2010, de Leonel Borrela.

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